COLETIVO MTV ENTREVISTA JAN KING
O ano de 2011 começou aquecido para o Hip Hop e um dos novos nomes da cena é Jan King que encabeça o grupo Number One que apesar do pouco tempo de estrada soma participações com Tio Fresh e Suave, além do clipe “Showtime” já exibido no MTV Lab Coletivo e sua mixtape. O rapper morador do bairro Barra Funda, zona oeste de S. Paulo, traz as novidades de seu trabalho em entrevista exclusiva para o Coletivo.

Number One Inc - Profissão Emcee Part. Grillão
Jan King, qual a proposta do grupo Number One Inc. E quais as impressões que você tem quando olha para a cena do Rap Brasileiro?
Mc Jan King: A proposta é vencer sendo sincero e o mais real possível, e lançando muita música de qualidade... Sobre a nossa cena aqui no Brasil hoje, fico feliz de dizer que estamos crescendo mais a cada dia, mas ainda temos muito a aprender.
Em 2010 você lançou a Mixtape “Eu Morreria Por Isso” fale um pouco sobre o título desse trabalho, qual a principal mensagem que você quis passar?
Mc Jan King: Eu morreria por isso de verdade, o rap salvou minha vida e vou lutar por ele até o dia em que eu morrer, rap é tudo que tenho.

Jan King, você ganhou recentemente dois prêmios pelo The Best of Independent Music promovido pelo web canal JusTV, nas categorias “Revelação” e Melhor Vídeo Clipe de 2010”. Pra você qual a importância de representar o Rap num prêmio importante pra música independente?
Mc Jan King: É muito importante pra mim, pois eu sei o quanto trabalhei para ganhar dois prêmios, um como revelação e o outro como o melhor videoclipe de 2010, foi incrível, inacreditável! (risos) Agora vamos rumo ao VMB (risos)
O caminho do independente é mais vantajoso que estar numa gravadora ou você prefere trilhar esse caminho do Lose Your Self?
Mc Jan King: Isso vai de cada MC, vou seguindo independente pois nunca tive oportunidade em uma gravadora, mais assim, vai da proposta da gravadora e de quanto você ta lucrando sendo independente, cada caso é um caso.
Number One Inc - Sem Dilema
Como rolou a sua participação no som “Volta Rap” Com Suave e Tio Fresh e como é trabalhar com esses dois grandes MCs?
Mc Jan King: Então, eu conheci o Tio Fresh através da minha assessora Izabel Porto, estávamos conversando sobre músicas com sample nacional e ai falei que a música do Raul Seixas dele que estava pra sair ia ser foda (risos), depois dele ouvir minha mixtape e ver meus clipes acabou me convidando, o que foi uma honra pra mim rimar ao lado de um cara que já rimou com Sabota e outros grandes nomes do rap nacional. O Suave foi um grande prazer, cresci ouvindo os dois, mas acho que fiz minha parte na música.

Jan King, quais são seus projetos para 2011 o álbum do Number One já esta a caminho?
Mc Jan King: Então 2011 vai ser grande pra mim, estou com um projeto quentinho no forno que se chama "O Desafiante", é nele que estou focado e visando o VMB 2011, já pensou? Estou trabalhando nessa mixtape que tem saído muito, tem chegado de Brasília até Mato Grosso do Sul, vou começar a fazer shows agora dia 13 de fevereiro, na quadra do Camisa Verde Branco (bairro onde moro) e por ai vai... Sobre o álbum mesmo tenho pensado muito e quero trabalhar com os melhores pois não vim pra ficar de brincadeirinha, lançando música que ninguém ouve, eu vim pra ficar.
O Coletivo Hip Hop deixa o espaço aberto pra você mandar um salve, passar uma mensagem, enfim, é seu o espaço! Obrigado pela entrevista!
Mc Jan King: Pô valeu mesmo Coletivo, sempre dando oportunidade pra mim Jan King Number One Inc, e pra outros MCs que vem aparecendo. Gostaria de passar a simples mensagem, lutem e lutem até cordeiros virarem leões. Espero sempre somar com vocês de alguma forma, muita fé a todos.
por Rodrigo Mendonça
SITE HIP HOP GLOBALIZADO
Entrevista Jan King do Number One Inc
– JANEIRO 13, 2011
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Entrevista conduzida por Bruno Tálamo, jornalista do Domingo Espetacular da Rede Record de Televisão. (29/12/2010)
B.T - Por que Number One?
Jan King - Lógico que todo mundo pensa em ser o primeiro, ser o melhor no seu ramo. E eu não sou diferente. Mas não só por isso que coloquei este nome. Number One é meu estilo de vida, meu modo de falar, meu modo de andar e de viver.
B.T - Há quantos anos existe o grupo e quem faz parte dele?
Jan King - Number One existe há quatro anos. E sempre foi eu quem esteve à frente de tudo. Tentei ajudar algumas pessoas, mas o caminho é árduo, escuro e traiçoeiro. Não são todas as pessoas que suportam a pressão do jogo. Uma vez conversei com meu amigo Mc Marechal e ele me disse: "Você já errou porque não sabe bem quem escolhe para ficar ao seu lado (risos)". Daí eu realmente percebi que errei muito antes, porém agora estou mais focado, pois não levo peso morto nas costas.
B.T - Você mesmo se auto-denomina como uma inovação no rap. O que de diferente você traz em suas mensagens, em suas letras?
Jan King - Primeiramente eu falo sempre de mim, do que fui, do que sou, da onde vim e para onde vou. Isso é uma das coisas que o rap da nova escola vem falando muito. Segundo, não imito ninguém que está fazendo sucesso no momento, não pago de sofredor para obter a atenção do público. Em minhas letras trago a mensagem de que nada é impossível. Penso que acreditar nos sonhos faz a gente acordar todos os dias e trabalhar para que isso se realize. Por isso sou 24 horas por dia rap.
B.T - O que você diria para aquelas pessoas que criticam o seu trabalho pelo fato de suas músicas mencionarem versos em inglês e não falarem da realidade das periferias brasileiras?
Jan King - Um: eu não nasci na perferia. Portanto, não posso falar dela. Dois: Inglês é uma língua praticamente mundial, e o Brasil que se adapte, pois não vim para ser igual, vim para ser diferente. Nas rádios do Brasil só toca rap americano. E quando você pergunta o porquê, eles dizem que se deve ao fato deles serem gringos, falarem inglês e que são isso e aquilo. Quando nós fazemos isso aqui, somos apedrejados.
B.T - Os clipes que você lançou (Sem Dillema e Showtime) tiveram bastante repercussão no seu bairro e até no cenário do rap - inclusive o primeiro deles sendo exibido na MTV. Pintaram muitos contatos após estes fatos?
Jan King - Então, o clip Sem Dillema foi o meu primeiro trabalho oficial. Nada do que gravei antes tem valor. Sem Dillema serviu para mostrar ao mundo do rap que eu estou chegando. E de uma forma bem diferente, o que fica visível no clipe (risos). Abriram sim algumas portas , mais decidi esperar um pouco para não entrar na porta errada pois no rap você só tem uma chance.
B.T - Mesmo sua carreira ainda estando no início, você já leva alguma mágoa ou desafeto no meio do rap?
Jan King - Esse negócio de briga nos Estados Unidos rende dinheiro. Acho que aqui no Brasil quando há alguma briga entre Mc's é realmente pessoal. Não tenho nenhum desafeto, até porque acho que nenhum mc se meteria a besta (risos). Às vezes dou uma cutucada aqui e ali, mas estou firmão... Fazendo o meu.
B.T - Não se sabe a data precisa, mas foi divulgado recentemente no You Tube um vídeo em que o Emicida crítica abertamente, em forma de freestyle, o grupo Nx Zero. No entanto, no mês passado ambos causaram polêmica ao lançarem uma parceria musical com a faixa "Só Rezo 02". O que pensa disso?
Jan King - Achei bacana a música. O próprio Emicida já se retratou, pois a crítica que ele fez ao Mc Suave ocorreu há muitos anos. Ele ainda era inexsperiente. Hoje é um dos maiores - se não o maior nome - do rap nacional. Não há o que dizer sobre o nome Emicida. Gosto muito do trabalho dele, do trabalho do Dj Nyack e do Laboratório Fantasma.
B.T - Recentemente, as forças de segurança do Brasil ocuparam o conjunto de favelas do Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro. Nós sabemos que alguns rappers fazem apologia ao crime e ao tráfico de drogas. Como o rap poderia ajudar de alguma forma os moradores destas comunidades cariocas, agora que não seguem mais órdens e doutrinas do poder paralelo?
Jan King - Creio que o rap só terá sucesso nessa missão se fizer algum tipo de parceira com o governo, criando espaços culturais, escolas de dança, oficinas de grafite, aulas de b.boys, além de proporcionarem campos para shows sem fins lucrativos. Apenas para passar a mensagem de que o rap é uma coisa positiva no mundo.
B.T - O que espera para 2011?
Jan King - Músicas de qualidade e subir o próximo degrau da minha meta, trabalhar bastante em prol do rap.
B.T - Para finalizar, que mensagem deixaria para seus fãs?
Jan King - Obrigado por tudo. De um em um nós vamos chegando. Muita fé a todos.







